Sunday, July 28, 2019

pequena nota

na passagem o início é incerto
e desnecessário, importa caminhar
para onde se quiser ir,
a ideia é essa

Tuesday, March 12, 2019

de janela aberta

O prédio lilás luzia
Do outro lado da rua
Onde a brisa corria
E a estrada estava nua.

Via-o do primeiro andar
Da Confeitaria Nacional
Desde um simples lugar
Onde não se estava mal.

Então uma janela abriu
Espreitei, não vi ninguém,
Provavelmente alguém sentiu
Que nesta tarde de primavera
Assim se estava bem.

o sorriso de quem dança

Nas vezes em que o mundo dista
Plena estou, pois que me encontra,
Consigo olhá-lo em seu esplendor.

É a primavera.

É a primavera nos meus olhos
Que tendo sede de vida encontram
Estradas inteiras de água e cor.

Às vezes, quando a beleza é tanta,
Sinto que a caixa pode explodir,
Mas logo vem a serena e a calma
Assegurando-me de que assim é a alma
E, imperativamente, devo seguir.

Monday, February 11, 2019

The colours in the sky are yellow and blue

There is a specific smell of home,
the one of the places you hold dear,
like the wavey sea and its foam
the flower garden where I roam
and everywhere else I find you near.

Ode à bonança

Do livro do amanhecer, para mim,
ou Claro Enigma, para todos

O Chamado, de Carlos Drummond de Andrade

"Na rua escura o velho poeta
(lume de minha mocidade)
já não criava, simples criatura
exposta aos ventos da cidade.

Ao vê-lo curvo e desgarrado
na caótica noite urbana,
o que senti, não alegria,
era, talvez, carência humana.

E pergunto ao poeta, pergunto-lhe
(numa esperança que não digo)
para onde vai — a que angra serena,
a que Pasárgada, a que abrigo?

A palavra oscila no espaço
um momento. Eis que, sibilino,
entre as aparências sem rumo,
responde o poeta: Ao meu destino.

E foi-se para onde a intuição,
o amor, o risco desejado
o chamavam, sem que ninguém
pressentisse, em torno, o Chamado."

Sunday, October 21, 2018

Por onde começar

tudo é árido, nem luz cai na melancolia,
a agonia intensifica e só vento
a passar cortante na pele
fica

os números estão trocados, o oito depois do vinte,
o vinte perde metade do corpo
desaparece,
os números estão a vaporizar,

a dor da ausência a represar,
não há corrida senão por dentro,

os números não estão.

Por onde começar

se o início é o fim de tudo,
a onda a quebrar é o orto
e jaz.

Monday, October 15, 2018



"Como uma onda que quebra sempre no mar alto, que nunca atinge a praia, as rochas"

Thursday, April 12, 2018

adrift

Monday, March 19, 2018

danceful