Perdi-me dos poemas.
Na verdade, perdi-me do tudo que não tinha ou do nada que era meu, enchi-me de um outro vazio e rebento pelas costuras de estranheza. Não sei o que faço aqui.
Perdi-me dos poemas.
Efectivamente trouxe comigo a esperança e o medo inerentes à aventura de descambar neste blogue, e queria dizer muita muita coisa, mas só me ocorre que deixou de ocorrer.
Perdi-me dos poemas.
Por isto não sei bem o que fazer, até porque perdi o chão por não o poder perder a ele, porque ele nunca foi meu ou tão meu quanto os meus poemas. É um pouco meu porque está na minha mente. O que é que não está na minha mente?
Perdi-me dos poemas.
Não estão na minha mente os poemas ou a métrica deles, as palavras que rimam e aquele encadeamento ritmico.
Na minha mente está só um pensamento
que não tem grande fundamento.
Já nem sei rimar com jeito.
Perdi-me dos poemas.
No dia 23 de Dezembro a coisa estará diferente, por certo. Resta-nos saber por que horas o poema voltará à mente ou à materialização.
Eu perdi-me dos poemas porque a beleza construída acabou.
O mundo é belo.
No comments:
Post a Comment