Sunday, July 12, 2009

Alguém o viu?


Onde anda o Christopher Plummer?
Dou um beijinho a quem me trouxer novamente o filme Man in the Chair.

60 minutos


Uma possível representação do poder da fé como expoente máximo do ser humano.

O impressionante caso de Ronald Cotton.

(clicar na imagem para ler entrevista)

Ali

Novas ideias,
velhas ideias,
confronto.
Procuro
encontrar
um ponto,
mas não
consigo,
não o
encontro.
Divago.
Divago somente
numa amálgama pura
que procura a semente
que aqui perdura.
A da origem.
Procuro.
Procuro, mas tenho
vertigens.
Às vezes tropeço
e sem querer cair
agarro-me a um
arbusto
para subir.
Fico é com espinhos
e
depois
nos caminhos,
não os consigo tirar
custa, dói,
e dói a sarar.
Por isso,
procuro
nesta nova amálgama.
Que trouxe
um doce
cantar.
Eu procuro
porque sei
que
vou
encontrar.

Ele tocou, e ouviu-se

Senti-me por dentro
na mais imperfeita das horas
e sem mais demoras
decidi acordar.

Tanto que é o meu sono
Custou-me três vezes levantar
e tropecei, e caí, e levantei-me,
numa dança que hoje aprendi
e logra tanto pesar.

Hoje é dia, é cedo, é amarelo e bonitinho,
Oiço, ao longe, os pássaros a cantar,
Quando outrora era o alcatrão, o vinho,
Tal o desespero de viver,
que ganhava lugar.

Mas, hoje, sou fruto do despertar.

Wednesday, July 08, 2009

A Imaculada Maria


Decidiu andar com os lábios pintados de rouge indécent por ser Verão.

Monday, July 06, 2009

Pedaço de madeira que (em mim) arde

"Foi tão fogaz que nem deu"

Pois que foste embora,
e não mais saberei de ti.

O em mim que jaz ardeu
Qual cinza e pó e rasto,
Sublime Sol nefasto
E em mim, fico eu

Sombra de mim mesma e sem grão de ponta que segure o que ficava, latente,
Luzindo em forma de brio o que só em mim é patente.

Eu estou aqui

À luz dos fragmentos que me compuseram,
Que se ontem fosteis trinta, e mo disseram,
hoje trago unicismo inigualável
De tal forma inquebrável
Que, se fosse fogaz, não seria eu.

Porque, se ontem dava, hoje não deu
Quão sagaz é o tempo que passa (e se passa!).
Procuro meios de te dizer adeus, poeticamente,
Que só me lembro e sei lembrar que o mundo,
só hoje, por hoje, irritantemente,
é meu.

"O tempo passa quando não reparamos nele"



















Do filme Elegia, de Isabel Coixet

Monday, June 29, 2009

Criei três mundos inquebráveis e só me sei situar num quarto onde crescem plantas secas nas paredes, fruto de uma atitude impávida e incompreensivelmente estúpida. Fito-me no espelho e parece-me que encontro O Pápa, qual manto luminoso e cândido, fitando-me de volta e cantando-me doces canções que convidam ao belo celestial. Os dias são graças a Deus inevitáveis mas inevitavelmente vou ficando à espera. Não de ti, mas talvez de mim. Eu sei que já o disse, mas digo-o novamente no risco de cair na redundância, Estou farta do sistema.
LIBERDADE!

O sistema anda-me a deixar mal-disposta.

Sunday, June 28, 2009

Olaré

O meu espanto é
Que hoje uma velha, num pranto,
Deu um tiro no pé.
E o mundo ficou sentado.

Monday, June 22, 2009

É ser-se Humano

A culpa é da vontade
Que tenho de te abraçar.

Sunday, June 21, 2009

Já o vi, para sempre (a sunday smile)

All I want is the best for our lives my dear,
and you know my wishes are sincere.
What's to say for the days I cannot bear

A Sunday smile we wore it for a while.
And at cemetery mile we paused and sang.
A Sunday smile we wore it for a while.
And at cemetery mile we paused and sang.
About a Sunday smile and we felt clean

We burnt to the ground
left a view to admire
with buildings inside church of white.
We burnt to the ground left a grave to admire.
Hills reach for the sky, reach the church of white.

A Sunday smile we wore it for a while.
At cemetery mile we paused and sang.
A Sunday smile we wore it for a while.
And at cemetery mile we paused and sang.
About our Sunday smiles and we felt clean

Tuesday, June 16, 2009

Um benzinho de fazer querer

Oi, Olha, Hey, Tu,
Não me devolvas o guarda-chuva
Que está calor lá fora
Onde repousam as margaridas.
Anda ter com elas, anda, anda embora,
Vamos sentir-lhes o aroma
Que é parecido com o das nuvens.

E eu não me importo que se suje o vestido branco
Eu estou aqui é para aprender.
Mas, ah, fala baixinho.
É que está por aí um vizinho
E ele não precisa de saber.


Quero saber o que se usa, as modas,
Das calças subidas
às saias de rodas.

Anda, oh tu do cachimbo verde,
E vê lá mas é se te afogas
Que, de nós, és tu quem perde!
É que o sol ainda se esconde
E a incontestável fragilidade do ser
Que do escuro tem medo
Não, não é para se saber.

Sunday, June 14, 2009

Directamente

Ora sombrio ora cândido
O dia me acolhe por entre horas
Minutos e segundos, singulares,
Tantos quanto os andares
Mo permitam.
Dias há em que os pés hesitam.
Correr, sim, correr por aí
Por cá, por acolá, por ali,
Corro por via da esperança
Por conta da lembrança
Que trago de ti.

Hoje e ontem lembrei-me de ti, saudosamente,
Que dias passo contente
Quando passo contigo.
És e serás, p'ra sempre, um amigo.


Ao Gonçalo Silva

O ELOGIO DA LOUCURA

UMA DECLAMAÇÃO DE ERASMO DE ROTERDÃO

" Fala a Loucura:

Tudo o que os mortais, de um modo geral, dizem a meu respeito - estou disso perfeitamente consciente - é que a Loucura não goza das opiniões mais reputadas e, mesmo entre os mais loucos, sou a única com poderes divinos capazes de alegrar os corações dos deuses e dos homens. Prova disso é que bastou o simples facto de avançar para me dirigir a esta assembleia, para logo todos os rostos brilharem numa nova e incontida alegria, afastando todo o seu ar grave e sisudo. Ristes e aplaudistes com sorrisos tão cândidos que, ao ver-vos todos reunidos em meu redor, era capaz de acredtar que estais ébrios do néctar dos deuses homéricos, com um travo de nepentes; e ainda há poucos instantes, estáveis sentados com um ar tão sombrio e acossado como se houvésseis saído da gruta de Trofónio. "

Monday, June 01, 2009

Take 1 (sem 2)

Chamaram-lhe uma coisa qualquer
Ao rasto que deixaste no pinhal
Descabido, inteiramente,
Porque o nome lho deram somente
Por desvario de uma mente
Que teme verdade total.

Vai a trote, de cavalo, vai de mansinho,
E vê se não te esqueces de jantar
Que aqui o povo fica sozinho
À espera do Sebastiãozinho
Voltar.

É precisamente isto.

[...] Hoje caminhei com os lábios vermelhos pela ponte mais velha da minha aldeia. As nuvens continuavam lá em cima e acima de tudo cantavam os pássaros.
- Não quero morrer!
Sentei-me numa pedra, cruzei as pernas semi-deitadas no chão frio, estendi o meu vestido às rosas e senti-me no topo do mundo, ainda que estivesse apenas no topo da velha ponte da velha aldeia de Maçores. Aí, jurei pra nunca mais morrer. Olhei para cima com todo o meu desrespeito à luz da Primavera de Abril, cheio de toda a sua azulez de céu despido de amor - ao menos, e valha-nos o calor, trazia os meus lábios vermelhos -e detestei aquela estação do ano detestável ainda mais um pouco. Intrigou-me a piadeira dos pássaros, que pareciam alheios a este espetáculo de friez descabida. Ora, onde já se viu, um dia completo de nudez flácida. Chateia-me. Puxei do cigarro, desapertei os sapatos. Um isqueiro, um truque e ali estava eu, a deliciar-me com o doente alcatrão. Fitei-o. Questionei-o. Questionei-me.
- Nãããã. Sai daqui.
Atirei o cigarro ao chão e tossi, enojadamente. Esfreguei as mãos nos lábios brutalmente e tal foi que espalhei batôn pelas rosáceas, roçando a Maria Puta que, satisfeita ou não, aproveita para se render à comodidade de um sossego sujo. Passou um cão. Observei-o e depois esqueci, como se nada ali tivesse passado, qual alma insensível, outrora rendida ao amor de um fumo. Estava ali porque queria sentir de novo. [...]

Friday, May 29, 2009

Serenata

Oh meu amor,
Dar-te-ia as treze rosas que colhi
Nesta manhã enevoada,
Dar-tas-ia espinhadas e imundas
Rasgadas pelo pé, mal rasgadas,
Livres, soltas, desenjarradas,
Desarranjadas e sem jeito,
Despidas de polidez e preconceito.

Ficarei embaraçada, mas não faz mal.


Trá-las-ia junto ao peito
Como se de um coração se tratasse
E deixa-las-ia no caminho que percorresses,
Uma a uma,
Contando que o teu olhar por lá passasse.
Oh, deixa que ele por lá passe,
Que eu prometo dar-lhe um beijinho.


Um pequenino, para que não pares de correr.


Não quero tocar-te para saber que existes.
Quero tocar-te para saber que não existes,
Porque não podes existir.

Monday, May 25, 2009

aria

é
elo
celo
arelo

á
tá
ará
lhará


do outro lado, há um mundo possível.

Tuesday, May 19, 2009

E agora?

Perdi-me dos poemas.

Na verdade, perdi-me do tudo que não tinha ou do nada que era meu, enchi-me de um outro vazio e rebento pelas costuras de estranheza. Não sei o que faço aqui.

Perdi-me dos poemas.

Efectivamente trouxe comigo a esperança e o medo inerentes à aventura de descambar neste blogue, e queria dizer muita muita coisa, mas só me ocorre que deixou de ocorrer.

Perdi-me dos poemas.

Por isto não sei bem o que fazer, até porque perdi o chão por não o poder perder a ele, porque ele nunca foi meu ou tão meu quanto os meus poemas. É um pouco meu porque está na minha mente. O que é que não está na minha mente?

Perdi-me dos poemas.

Não estão na minha mente os poemas ou a métrica deles, as palavras que rimam e aquele encadeamento ritmico.
Na minha mente está só um pensamento
que não tem grande fundamento.
Já nem sei rimar com jeito.

Perdi-me dos poemas.

No dia 23 de Dezembro a coisa estará diferente, por certo. Resta-nos saber por que horas o poema voltará à mente ou à materialização.

Eu perdi-me dos poemas porque a beleza construída acabou.
O mundo é belo.