Friday, May 13, 2011

It's been a long time long time now
Since I've seen you smile

Tuesday, March 08, 2011

Saturday, February 19, 2011

a palavra é apenas uma memória

Ao ouvir uma canção o corpo responde. Inicialmente vibra apenas, mas após uns segundos sente uma necessidade maior de se movimentar mais e, acompanhado pelas batidas da música, desenvolve gestos mais ou menos bruscos, dependendo aí de quem dança. Ao som de algo estilo house ou jazz, pouco importa, o sujeito dono do corpo em causa torce e contorce os membros de forma ritmada. Independentemente do sítio, a dança desenvolve-se sempre da mesma forma. Poderá, contudo, provocar reacções diferentes, consoante o público. Há quem se mostre chocado pela animalidade demonstrada pelo bailarino. Há também quem lhe admire a coragem, ou até a graça – é uma questão de sensibilidade. Mas, em última análise, o sujeito não terá muito com que se preocupar. Uma vez que todos os elementos do público também possuem corpos todos estarão dançando, vítimas da mesma condição. Em suma, a dança é apenas um movimento.
Para contemplar um quadro é necessário que se abra os olhos para visualizá-lo. Há vezes em que o processo é complicado. Por exemplo, quando há uma grande variação na quantidade de luz recebida o sujeito pode sentir-se incomodado. Mas, uma vez ultrapassado este primeiro obstáculo, e na presença de uma pintura, é possível iniciar a contemplação. Quem o faz observa a presença ou ausência de cores, formas. Às vezes observa corpos de mulheres despidas ou crianças correndo. Analisa a situação em questão dentro dos limites da tela; vê o que lhe está defronte e fica. O processo não tem uma duração temporal específica, mas normalmente não vai além dos cinco minutos. Em suma, a contemplação de um quadro é apenas a visualização de uma tela.
Para dizer “mãe” é preciso recorrer-se a um arquivo de palavras. Apesar de estas, quando na língua materna, se assemelharem a designações naturais, a verdade é que são uma criação humana. Designaram-se os objectos, as sensações, os processos, enfim, tudo ou quase tudo quanto se conhece. A utilização de palavras na comunicação oral presume um conhecimento relativamente vasto de significados, de modo a que as palavras se possam articular e criar algum sentido. É necessário ter-se capacidade de armazenamento de informação para conseguir guardar esses conhecimentos. Em suma, a palavra é apenas uma memória.

Wednesday, February 09, 2011

Al Berto, à procura do vento num jardim de Agosto

Sei que darei ao meu corpo os prazeres que ele me exigir.
Vou usá-lo, desgastá-lo até ao limite suportável,
para que a morte nada encontre de mim quando vier.

Monday, January 17, 2011

se quiser pode ficar

Não se deve ter medo da senhora,
deve deixar-se que entre.
Por que não? Mais um convidado em casa
é sempre bem querido.
Venha, senhora,
entre e encha o meu abrigo,
tenho aqui pedaços de alma
e sons a acompanhar.
Sei que domina a arte
de fazer sonhar.
Nem precisa de me falar disso,
sempre que a vejo recordo-me
dos tempos de criança,
que são tempos de agora, até,
nestas horas cheias de fé
em que o coração balança.

Ouvi dizer que gosta de CocoRosie
e escrever, é certo?
Aperto-lhe demasiado as mãos assim?
Ai, desculpe, só não quero que tenha frio,
chegue-se para perto, aqueça-se em mim.
O meu corpo é grande,
chega para nós duas.

Sunday, January 09, 2011

deserto em lugar de selva

Eu não sei o que faço aqui

- e é genuíno, sincero e até comedido,
na medida em que não expludo
em linguagens ou gestos ou sons.

São três...dois...um...segundos lentos
e lânguidos que passam doendo,
oh sonhos que outrora vibravam
num peito quente. E ardendo, sim,
ardendo depressa o que de mim jaz
agora, era madeira em lugar de coração,
eu sabia, é pó e cinza que desfaz.

Saturday, January 01, 2011

dedico ao tempo, que passa

corre, mas não canses

Olá
Já chegaste e continuas tão longe

És horizonte e desejo mas medo,
não me leves a mal, sou nova nisto,
ou menos nova agora que chegaste.

Como é que continuas a chegar
dentro dos limites da normalidade
sem que ninguém te detenha?
Serás assim tão poderoso?
A criança que te desenha não vê
nos lápis de cor as sombras que trazes atrás
mas luz e forma,
em forma de paz.

Oh tempo-tão-poderoso não me leves
como ainda não levaste até agora,
ainda que tenha passeado contigo.
O teu saber é até amigo
quando me acompanha na aurora.

Wednesday, December 29, 2010

multiculturalidade

hoje, num lapso dos tempos e das memórias,
lembrei que muito há de matemática na poesia
e na vida, e na poesia da vida, das histórias
que não remetem apenas a glórias de tempos passados
mas ao traçar de uma velha geografia.


tudo é poesia.

Monday, December 27, 2010

manjar

E come
e come
e come,
mais fruta,
chocolate,
mais bolos,
as flores!, não!, as flores não!
mas é tarde, Trazes as mãos de polvo
com que por vezes escreves
e de onde sempre o prazer louco,
que achas pouco, provém.

Grita o pai, o avô, grita a mãe!,
eis banquete de beleza extrema
em que o lugar da contenda
dá forma à tradição.
Mas, e daí, as flores não,
o chocolate,
e as frutas,
e, ai, os bolos também.

Polvo na mesa, falo da tua mão,
e já pouco há que manjar.
Restam os gritos, os apitos,
as pessoas a celebrar,
as barrigas cheias e
cheias as flores de pesar,
não porque restem, mas porque sobram
as pétalas.
"e as texturas, os odores,
os hortos cheios de amores
e o carinho, onde pára o vinho
que se faz para beber? sóbrios,
sóbrios de tanto que é podre,
que se perdem no caminho
e sozinhas ficamos na jarra."

A mesa ficou vazia.

Thursday, December 23, 2010

ideia

Não, não vou a outras fontes que não as tuas
matas-me a sede sem ter que beber

só de olhar, a fundo, e
sem saber onde pára o mundo
dás-me vida e luz e saber.

Monday, December 20, 2010

Euforia

cai neve no cérebro vivo do imaculado - dizem
que este milagres só são possíveis com rosas e
enganos - precisamente no segundo em que a insónia
transmuda os metais diurnos em estrume do coração

dizem também
que um duende dança na erecção do enforcado - o fulgor
dos sémenes venenosos alastra no brilho dos olhos e
um sussurro de tinta preta aflora os lábios
fere a mão de gelo que se aproxima da boca

o vómito da luz ergue-se
das palavras ditas em surdina

a seguir vem o sono
e o miraculado entra no voo dos cisnes
o dia cansa-se
na brutalidade com que a voz se atira contra as paredes
abrindo fendas
em toda a extensão das veias e dos tendões

quando desperta com o crepúsculo
o miraculado olha-nos fixamente e sorri
dá-nos uma rosa em forma de estilete - fechamos os olhos
sabendo que este é o maior engano
da eternidade


Al Berto

Helmut


Wednesday, December 01, 2010

pedaço

Caras sorrindo e esqueletos abrindo em flores
amores, tudo em festa, porque é esta
a rua certa no caminho à coisa-do-lado.

Nem é fado ou sorte do trevo,
é pralém do que escrevo e
é o brilho do servo interno,
eterno à construção dos edifícios,
prédios de canção e apego
de sorrateirices e desassossego
de brilhantarias ou misérias
ainda assim sérias
no objectivo comum da dança.

Neil Hannon

Tuesday, September 14, 2010

A stone, a car, a safety belt,
nothing I said I felt
is now real,
but still
what is.

Thursday, September 02, 2010

Canção em zero quê's

Sei lá que te diga, que me diga,
digam-me o que dizer, que já não sei
já nem sei se no outro dia falei
ou só sonhei contigo.

Se foi nas palavras que me requebrei, em tempos,
surgiram contratempos e quebraram-se os laços
em possivelmente os piores percalços
da história dos corpos e altitudes.
Não, vento, não me mudes,
apesar das núvens, do bizarro e do frio,
eu sei que é o sono, em todo o seu vazio (todo...!)
e em breve chegará a sorte, em magote, o brio.
Como hei-de eu tocar no limbo se não através da palavra?
Para lá dele estarão os sentimentos, creio,
mas aqui onde semeio tempestades e sorrisos
ouvem-se os tambores, o rufar, e os guizos,
as óperas ao amar, em solos mais torcidos ou lisos
e vivo deles, destes sons de esperança e sonho
de que, tendo sono, me componho.

Wednesday, August 11, 2010

Quando vê o Sol de lá de baixo

Onde pára a sensatez da coragem
em pratos limpos por estrear,
no chão? Nas escadarias?
Tudo isto é trabalho. Tudo.
O novo e insensível foi ali,
aqui é stops e trinta por uma linha,
mas de aço, ninguém a cambalear.
Apaga, e volta, para mais de mansinho tentar,
a revolta lá ficou a apagar e o fogo,
o doce nos queques do lanche é
um peixe em alto mar. Agora,
agora é que o é, atenção,
que antes das culpas
tudo era perdição.
Maldito sejas, copo de vidro,
que se cais te partes e feres,
e isso retrai. Quisera eu poder
voltar mas não vejo como,
presa no imaculado altar.
Sensatos são os pecadores
que sabem quão alto gritar.

Sunday, July 11, 2010

Feliz
tenho sono, tenho calma,
apesar das pequenas borbulhinhas
no corpo e na alma,
vou sair amanhã pela tarde.

Vinte
e duas horas depois das dezasseis,
é por lá que me baterei na rocha
trarei o fio no peito e uma tocha
para dormirmos sem medo.

Dias
que parecerão minutos escassos
tal será a ocasião e os espaços
assemelhar-se-ão
Ao
Sol

Thursday, July 08, 2010

E foi nas vezes em que mais insana aparentei ser
que mais me revi, qual espelho,
ainda que os olhos do outro lado se assustassem.
Nem soube se os meus se outros,
quem sou eu e quem sois vós? Às vezes não consigo discernir.
É espelho é, mas se sou eu, como posso não saber?

Sunday, July 04, 2010

Viagem em violento azul

Soubeste do pássaro que poisou no parapeito
da janela do jardim? Eu já não o encontrei
mas contaram-me que chegou por mim.
Trouxe orquídeas, orvalhos, odores,
horas de alturas ardendo amores,
mas perdi-me nas pedras do passeio
viajei em voltas, em voltas vagueio
vendo se o via, mas já o perdi.

Soubeste do calor que cantou na cidade?
Não o senti, mas em boa verdade
soube, como se sabem nesta idade,
os trauteios da sombra e da saudade.
Que o calor que cantou caiu pela calçada
queimando os pés a pedra perfurante
do transeunte distante, e ardeu longe,
Longo e distante, o peito do breve amante
em largos decalques de sol cortante.

Tuesday, June 29, 2010

o zero desconstruido e continuado

trinta e três segundos trocados
na meia hora passada das nove,
espaços baralhados em cena
que espelham a inócua contenda
que um relógio de braço promove.

Tuesday, June 15, 2010

consciência do real (zero)

E é quando tudo vem
que quase tudo foi
não fosse a nossa cabeça
a natural-mãe
de todas as coisas.

Tuesday, June 08, 2010

(des)construção contida

Cada camada caiu, como
cai cuidadosamente chuva.

"ca...

ca...

ca..."

Chão consigo, caudal que corre,
Corro comigo como calha
Calhou calhar aqui no blogue
ai deus deixe que me afogue
já me perdi da velha malha.

Cânones? Ali.

Saturday, June 05, 2010

Roald Dahl

Até me tinha esquecido de como gostava disto

Cinderella

[...]
I guess you think you know this story.
You don't. The real one's much more gory.
The phoney one, the one you know,
Was cooked up years and years ago,
And made to sound all soft and sappy
just to keep the children happy.
Mind you, they got the first bit right,
The bit where, in the dead of night,
The Ugly Sisters, jewels and all,
Departed for the Palace Ball,
While darling little Cinderella
Was locked up in a slimy cellar,
Where rats who wanted things to eat,
Began to nibble at her feet.
[...]

E melhor que ler, só mesmo ouvir.

Friday, June 04, 2010

"

Y aquella vez fue como nunca y siempre:
vamos alli donde no espera nada
y hallamos todo lo que esta esperando.

"

Neruda

Thursday, June 03, 2010

hoje

Queria dizer um mundo de flores e pássaros mas
as palavras não chegam. E se assim é, que se cumpra
a lei natural das coisas e se deixe tanto por dizer,
ainda que na certeza da sua essência. É o brilho,
é claridade, é a vontade e a verdade, é a vida!,

lá fora onde eu estarei a tocar o Sol num bater de
pestanas, esquecida da limitação das palavras,
sabendo apenas que o mundo é feito de luz.

Tuesday, June 01, 2010

VAWK


















by: blogto.com

The new thing,
by Sunny Fong.

Sunday, May 30, 2010

Reset

GRITOS

Gritos

Gritos

Suspiros que não são bonitos
nem na forma, nem na essência
sorrisos que estão restritos
a uma triste complacência

está bem

está bem

está mal

Já ouvi, está mal,
dá-me licença que quero passar.
Já é de dia e está sol
e tenho pressa de mudar.

eu deixo

tu deixas

avancemos

Ainda está escuro (trouxe óculos)
e sinto a pele a arder,
tenho medo.

"Se somos um espectro de luz - como as estrelas e não o planetas - e se a luz nos alimenta, vamos ficar obesos de bronze!"

Já não tenho medo
mas ainda não fervo
por dentro.
O espectro é ainda servo
de uma luz em escuro-claro
que é o meu amparo.

Amperes, amperes,
mulheres,
luminosas mulheres
brilhantes,
na forma e no resto
que é bem maior
que o Universo.

Sou eu

E tu

E ela

Lua nova na cidadela.

Sunday, May 23, 2010

the screaming head says

Quero rasgar as cartas que te escrevi
ou queimá-las, para não ter mais de as ver,
mas temo o cheiro que tragam as cinzas.
quero esquecer,
quero esquecer as melodias,
as tuas mãos, as fotografias,
os dedos entrelaçados os olhos
os fados e os folhos das saias que usei
só para te ver sorrir. quero
quero esquecer a vontade, a beleza,
a saudade, a certeza,
deixar-me de prantos
que são tantos, são
são tantos.

Talvez te devesse dar as cartas
e gritar-te ao estômago, pelas borboletas,
tudo de um só fôlego,
sem cinismos, sem letras,
sem mecanismos ou mediações.

Quisera eu ter vários corações
para poder dividir o tanto que trago,
ou queimar as cartas, descoraçada,
que são elas mais tuas que minhas e,
afinal, não valem de nada.

Wednesday, May 12, 2010

Penso

Parto para procurar perdidas
Pérolas, porque perdi pedaço,
Parto parco palavroso, pois
Passei, ponderei, pondero, passo,
Peço paciência para provável percalço.

Tuesday, May 11, 2010

Visão

Vejo vastos vales verdejando
Varrendo vagas vicissitudes.
Violetas vaidosas viajando,
Veio vento, veio voando,
Voam violetas voltando.

Sunday, May 09, 2010

No móvel, imóvel

Era um cacho de uvas em cima da mesa
e tu, sorrindo encantadoramente,
percebeste que o cacho de uvas em cima da mesa
era eu.
Valha-nos o Deus e os tempos,
que em alturas de tristeza
decidiu, sua alteza,
ser uvas!
- Anda trabalhar,
vem, estuda, pensa,
canta, sorri! Eu trouxe,
eu trouxe um presente
para ti.
Sorris, continuas percebendo,
acho até que a culpa disto é tua.
Mas o sorriso não é malicioso,
e o fardo, a mim, não pesa,
acho que estamos num estado de gozo
que ninguém percebe e, a mim,
não me interessa.
- Mamã, a Maria não está,
não andes aí a pedir-lhe coisas.
- Não está? Mas ainda agora...
- Teve que ir embora. Deixa.

Gosto de te ver assim o cabelo,
encaracolado, tocando-te no pescoço,
e a mim gosto de me ver o roxo,
a pele e o caroço.
Tudo é grande, é rosadinho,
e eu não tenho caminho.

Jogo da Vida - Rabih Abou Khalil com Ricardo Ribeiro

Friday, April 30, 2010

suspiro

O corpo
O corpo pálido de saber onde mora a janela
do teu animal pede
que o visites no lugar onde lhe deixaste plantado
o verde mais teu que da natureza
e sabe, o corpo sabe
que na leveza desta visão clarificada
mora a certeza brotada
do teu jardim em flor.

Wednesday, April 21, 2010

sonho 3

Subi a escadaria eterna,
no meio do prado, em caracol,
e ladeada por uma núvem terna,
bamboleou-se-me a cansada perna
e encadeou-me o Sol.
Soube que não podia descer.
"Se chegaste aqui,
consegues voltar!"
Não, eu sabia que não,
e de medo faltou-me o ar.

Friday, April 16, 2010

Parque

Paro, escuto, olho.
ACORDA, diz o outro
que sabe melhor que eu onde me encontro
e é perto de uma passadeira.
Que vergonha, será que percebeu,
o que é que me deu?
Estava de tal maneira
que nem o vi aproximar.
E, bem, verdade é que na cabeceira
tenho uma colecção inteira
de poemas, a estragar,
de sementes que vou guardando
para um dia plantar.

Thursday, April 15, 2010

tarde cheia de luz

Essa capa destapa a pele
das verdades e de quem se é.
Ai que belo! Que divertido!
Tão amarelo! Tão bonito!
Tudo, claro, isto tudo sentido,
juro, juro, querido,
não te estou a mentir.

Para quê desenlaçar o presente?
Fica tão bem o enfeite
e deixa todos a sorrir.
Dá trabalho, não é,
cavar, arrancar, partir,
trazer ao de cima, e, ao de leve,
devagarinho, gostar.

Tudo que é rápido é intenso!
Ao amor? Não, não sou propensa,
obrigada,
prefiro seguir o fado de ver o mundo
de fora.
Deste lado é sempre hora
de cantar.

Tuesday, April 13, 2010

Catarina de Gaia



Devolvo (tentando não desenvolver)

Txau,
até logo,
até depois,
já cá venho.
Se não te vejo, não te tenho
comigo, e se te oiço uns sussurros
parece que crescem muros
que te silenciam.
A quem pertenciam
os meus gestos? A mim?
Não creio,
mas se pensas que me chateio
desengana-te. Os gestos são dos mundos
mais supérfluos ou mais profundos,
e trazê-los é devolvê-los a casa
numa brisa que vem e esvoaça
e me faz chegar.
As minhas marcas são para te chamar
ao meu mundo,
que me parece muito supérfluo
ou pouco profundo
quando não te consigo encontrar.

Sunday, April 11, 2010

Exercício 2


Olhar lilás para as coisas

Onde estás tu?
Tanto tempo passou desde que te vi
a tomar chá no café da esquina.
Imagina que tenho passado lá!
Já era de prever, eu sei
que sabes o meu jeito
imperfeito, eu sei, eu sei, mas
imaginei ver-te no domingo.

Dia bonito, hã, este dia de Primavera
A cada dia que passa desinvernam-se os tempos
os tormentos, e também se encerra
uma estação.
Está-me a aquecer o coração
de ver as flores florir
faz-me viver, faz-me feliz,
faz-me escutar aquela canção
dos meus tempos de infância.
Ai, a reminiscência do agir
traz-me tão mais que poesia,
tão, tão mais que poesia,
alegria.

Exercício


Friday, April 09, 2010

it's that mood indigo (indagando)

Conta-me das tuas histórias,
daquelas que ficaram para trás
e das outras que estão por vir

Fala-me das tuas memórias
mais antigas, e das outras,
e trauteia canções que gostes de ouvir.

Diz-me aqui, baixinho,
qual é a tua cor favorita?
É aquela que tens no sorriso
que trazes contigo?

Ai! Fala-me, fala-me das mudanças,
das tuas mudanças e das tuas esperanças
daquilo que te move, que te muda,
daquilo que sabes e te aturda
o pensamento!

Qual foi o momento
mais especial da tua vida?

O que guardas aí, nessa sacola,
que trazes ao ombro, meia aberta,
olha que ainda te é descoberta
a graça. É que até me embaraça
o teu encantamento.

Qual foi o momento
mais engraçado do teu dia?

Fala-me do teu sonho, da tua fome,
da utopia que trazes nos olhos,
para ver o mundo assim.
É que, às vezes, a mim,
a coisa cega e eu perco-me.

O que é que te prende à Terra?
O que é que te traz aqui, agora,
que não trouxe mais cedo, e demora
a ser dito? O que é que achas bonito?

É só impressão minha, ou...



e



são parecidas?

...lembra, não lembra?

Thursday, April 08, 2010

Por falar em estados de espírito...



It's all too strange and strong

Wednesday, April 07, 2010

"Em 77 todos se drogavam"

O título não é meu, mas valeu a pena roubar.



Especial atenção nos segundos 0:30 e 1:47. E, já agora, reparem como a música encaixa nas situações a ponto de ser - quase - assustador.

Espero que se riam tanto quanto eu me ri.

Tuesday, April 06, 2010

Perco (tudo sempre no auge)

Será o momento que desertou
maior no pensamento
que na realidade? Ou fora
assim tão enorme como me parece
agora? Foi verdade?
Foi, ou é, ou o que se passa,
como se traça o mundo
entretanto,
enquanto não estou contigo,
enquanto revejo tanto?
É sonho? Ou é pesadelo?

Thursday, March 18, 2010

Pra não dizer que não falei das flores

Vem, vamos embora
que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
não espera acontecer

Tuesday, March 16, 2010

Veio com um gigante sorriso amarelo

O telefone está a tocar
(e tenho medo que pare)

Xiuuu, sossegadinho, coração,
a menina vem já e vem pela mão
da Aurora,
que faz tempo, e é hora,
de cantar!

"Sei bem que esperaste por mim,
desculpa a demora. Cá estou,
vim de aonde me levou
a estranheza. Mas vagou,
e resta espaço à incerteza,
e quero brincar.
No parque, achas que ainda
há lá lugar para mais um?
É que estou em jejum
até de pular!
Hoje sei que os meninos
do parque
me estão a chamar. Às
vezes
tenho vergonha. Mas a timidez
é medo de
amar.
Então vamos, e deixa-me lá,
amedrontada
e
arrebatada,
pela luz dos sorrisos que
não pára de
me apaixonar."

Saturday, February 13, 2010

carta a um amigo

há dias perguntaram-me
porque deixara de escrever.
gostei do breve reparo
e, sem mais amparo,
apresso-me a responder:
D,
escrevo pelo motivo.
Pelo motivo do canto,
da dedicatória,
do escrever, ou da memória,
ou do antever.
escrevo com gosto, com vontade,
escrevo com alguma verdade
e com algum querer.
não sou bem eu quem me traz,
sou mais eu quem se desfaz,
pelas palavras.
requebro-me, perco-me nelas,
aprendo-as e traduzo-as.
Escrever não é pois passatempo
é obrigação do tempo
que corre.
E se não escrevi, sabe,
foi pelo motivo.
Não tendo motivo não tenho comigo
as palavras, que me têm a mim.
é do sono que se apossou,
uma matéria sublime e decrépita,
que me cega, me aturda, me surda,
deixando-me apaticamente muda.
Se não escrevi não foi por falta de tempo,
foi por tempo a mais, tempo estranho,
daquele onde não me revejo
nem em frente ao espelho.
Mas, amigo D.,
obrigada pelo reparo,
e olá uma outra vez.
Terá sido daí que voltei?
Talvez.
Mas prefiro acreditar que não,
desculpa,
é que se aqui há culpa
deixa-me matá-la sozinha.
É o tal sono, sabes?
Aquele de que falo às vezes,
mas estou a mandá-lo embora.
Motivos.
É o caminho que constrói a fortuna
e é dele que vivemos,
embora por vezes nos apartemos,
até mesmo do ser, ou do ideal,
ou das motivações.
Quis que soubesses, amigo D.,
que para além de escrever para ti
escrevo por ti, por mim, para mim.

Escrevo para a vida, para a escrita,
para as metamorfoses e para a memória
para as motivações, para a beleza,
para aquilo que aconteça
com este pedaço de história.
Ainda que seja pouco, será para quem quiser.
E, entretanto,
amanheceu.

grito às aranhas

Sete. Sete da manhã que sabem a noite
e é noite, está escuro lá fora.
Onde pára a aurora?
Configurei o meu olhar com limites de moldura pitoresca
e quero voltar a ver o mundo às corezinhas
mas está-me a custar.
sabem, estou a chorar.
talvez seja deste sono
imundo
este sono profundo
que se estende
pelo corpo
pela sede
pelo desejo
ai! se soubesses como prevejo
os dias anteriores a mim!
eu sei, eu sei que vou voltar,
digo-o repetidamente
digo
digo
digo
digo esperançosamente
que só a posso deixar morrer
depois de mim.
às vezez de que vale a pena viver
se não por capricho dos outros?
não tenhais pena,
não sou vítima,
mas às vezes,
nestas vezes,
a dor é tão íntima
que não dá para entender.

discorro.
não me levem muito a sério,
eu não me levo muito a sério,
talvez o problema seja esse.
mas não me entristece,
triste é a apatia
que se apossou de mim.
mas na selvajadaria das ramificações
eu sei que serei mais forte
é a mente
é o brio
é a sorte
é o canto em magote
que repito assim assim.

vou dormir, eventualmente,
e será em breve, garanto.
vim só discorrer este pranto
que quis sair, fugir assim,
depressa e em espanto.
é sinal que sobrevive num recanto
aquilo que me aquece
e num breve sopro reaparece
relembrando-me de mim.

vou dormir.
quando acordar, virei pé ante pé,
devagarinho, com algum cuidado,
que o sono ficará adormecido
demente, podre, entorpecido,
esquecido, seco e vago.

Friday, January 29, 2010

Dream, dear Flim

Tuesday, December 29, 2009

Corda

Há uma corda que me prende
os membros
e não me está a deixar fugir.
Então fico, na apatia,
na dor da apatia,
e estando a sorrir,
não estou
nem estou,
não me deixa partir.

Estado ou ser?
Não sei.
Nem sei se é dor
se é recorte de caminho.
seja como for
sei que tenho de me compor
sei que quero ficar sozinho.

Tenho um isqueiro na mão,
(tenho mesmo!)
Mas não tenho a força para fazer arder
a corda
que me está a prender.
Acendo um cigarro, e outro,
tudo fácil,
tudo que é fácil,
eu faço por fazer.

Bebo a água, que traz o trago amargo
de um limão,
e não lhe ponho açúcar.

Sozinho, quero ficar sozinho,
Sozinho porque livre de pensamento.
É que se estiveres tu no sonho
estou atado na corda,
na apatia, no medonho,
que é estar preso em mim próprio
sem estar, no entanto,
propriamente em mim.

F.

Wednesday, December 23, 2009

Osklen SPFW 2009

E digam o que disserem, venha o que vier, esta será sempre uma das minhas marcas de eleição.

Sunday, December 20, 2009

Maria Callas

carta 2

O que é escrito, escrito está,
E fica, fica, fica, fica...
Ainda que as luzes digam adeus.

Mas olha, assim como assim,
Pode ser que não chegue quem leia
Já que todos têm que fazer.
É que se há coisa que chateia
É meter-se em vida alheia
Sem ter muito que dizer.

É a coisa do remetente, já disse,
E não se quer enviar cartas erradas.
É que há uns a quem chegam certeiras,
Perfurando-os como espadas,
Mudando histórias inteiras.
"Ai, desculpa, não era para ti!"

Tarde demais.

É que a escrita fica, fica, fica...
E não fica para ti.
Fica para todos, aqui, ou ali,
Fica para quem quiser ler.
E quem lê chega à cova dos lobos
Que muitas vezes descobre
O que nem tem que saber.

Fechemos então os olhos.
Digamos adeus à claridade.
Silêncio. Ouvir. Sentidos.
Já que tão pouco do mundo é verdade.

Friday, December 18, 2009

Canção da esperança

O mundo faz-me rir.
Se porque tropeço ou meço mal os passos
O mundo traz-me rir.

Por quanto de sol há lá fora
E por quanto brilha na aurora
O mundo deixa-me rir.

E se eu caiu nos enganos,
Redondamente,
Reparo, se a memória não mente,
Que por cada vez que remedeio os panos
Cresço outros vinte anos
E rio perdidamente.

Sunday, December 13, 2009

sonho 2

Hoje trazias as calças velhas,
Disseste que querias correr à chuva.
Mas o que é que te deu?
Ainda ontem um amigo meu
Me lembrou que é Dezembro
E está frio, homem!

Discurso da gerbera amarela

Há uma flor de que eu gosto, e é a gerbera. De todas as cores que pode ter, prefiro vê-la amarela.
Às vezes vendem gerberas à porta de minha casa, na Avenida 22 de Dezembro, e quando as compro é para oferecer à minha mãe, que gosta de flores amarelas.
A gerbera tem um caule comprido e muitas pétalas, fininhas. O centro é mais escuro que elas, geralmente. Quando as pétalas são amarelas, o centro é castanho e parece peludo. Às vezes faço-lhe festinhas. É, literalmente, fofinho.
Eu gosto de gerberas. Elas comunicam comigo quase naturalmente - confesso que nos esquecemos das questões de mediação e de interditos quando estamos juntas - e com uma linguagem muito simples. Eu olho para ela, e ela fica. Gosto de a contemplar e às vezes consegue transmitir-me a calma que a caracteriza. É giro.
Eu gosto de gerberas. Gosto especialmente das amarelas, que me lembram a minha mãe - eu gosto da minha mãe. Brilham muito e chegam a parecer sóis. Quando as ofereço à minha mãe e ela sorri também parece um sol.
Eu gosto de gerberas. Devia haver mais canteiros pelo mundo fora. Nos passeios, entre as pedrinhas, gostava que crescessem gerberas. Assim podia, de vez em quando, trazer uma flor no cabelo. Então se fosse amarela é que era! É que eu gosto da cor, e é até a cor do meu cabelo.

Monday, December 07, 2009

sonho 1

Sempre quiseste saber o canto dos pássaros,
Rapazinho da viola!
Achavas mesmo que ias voar?
Tua mãe não te deu asas,
e eu que até chilreio
também não tas sei dar!

Pim pam pum

,cada bala mata um
Lá em cima do Huambo
Tem um copo com veneno
Quem bebeu
morreu

Pim pam pum, cada bala mata um
Lá em cima do Huambo
Tem um copo com veneno
Quem bebeu
morreu

Quiribi, quiribi macaco
Macaco que é boa

Monday, November 23, 2009

carta

Convencionado está que a carta seja um pedaço de papel no qual se podem inscrever letras que, formando palavras (numa determinada língua), constituam uma mensagem que se pretende enviar de uma entidade a outra, materializadas num remetente e num destinatário. A carta é, portanto, um meio através do qual um interlocutor se pronuncia, na sua própria ausência, a um determinado alguém. Visto a distância latente neste processo de comunicação, inevitável, percebe-se que a relação que entre os dois se estabelece é indirecta. De qualquer modo, todo o tipo de diálogo é uma comunicação indirecta, uma vez que a linguagem representa a materialização das ideias, primariamente formadas no pensamento. A comunicação é, portanto, um meio de exteriorização, e não é possível que o seja de outra maneira. A distância nunca é verdadeiramente anulada. Idealmente, tal só poderia concretizar-se através da telepatia, onde um sujeito poderia transmitir a outro aquilo que realmente pensava, mas tal não parece verificar-se. Voltando à questão da carta, e de uma outra perspectiva, menos formal, pode entender-se que o diálogo por ela estabelecido é ilusório, visto que as duas partes estão fisicamente ausentes. Para além da necessidade da exteriorização e consequente materialização dos pensamentos, o indivíduo ainda perde a imediaticidade que o processo anteriormente indicado acarreta e não pode agir sobre as suas ideias. Segundo Kafka, o que é enviado pela carta é então assombrado por fantasmas que se apoderam das acções contidas nas palavras, praticando-as, vivendo delas. Um beijo escrito é bebido pelos fantasmas, como se tal se tratasse de um néctar de juventude, que continuamente os mantém vivos. Logo, um beijo escrito pouco mais é que isso mesmo, visto que não se materializa num beijo. Apesar de tudo, um beijo escrito pode resultar num aquecer da alma, num toque de carinho. Isto se a mensagem for entregue à pessoa certa, se chegar num momento oportuno, se causar “no destinatário” a sensação que o remetente pretende. Voltando à metáfora dos fantasmas, isto acontecerá se, por caso de uma excepção à regra, a carta conseguir resistir, pelo menos um pouco mais, às mãos de tais sedentas espécies. Neste sentido, ou nestas excepções, as cartas são verdadeiras formas de expressão da alma.
A propósito de cartas, é curiosa a forma como por aí se pede que “não se bata no mensageiro” – visto ser um “simples” transportador, que nada terá a ver com a mensagem a ser enviada. No entanto, e de salientar, é fulcral o papel que tem o mensageiro que, no cumprimento da sua função, permite a conclusão do sentido da carta, ao fazê-la chegar à pessoa destinada. Quando uma carta se perde, ou chega às “mãos erradas”, não deixa de ser, formalmente, uma carta. Mas o sentido verdadeiro da carta perde-se, voltando a ser apenas a matéria que a formou: um pedaço de papel, as letras inscritas, o envelope. Há, claramente, diferença entre uma carta que chega ao destinatário e outra que não o faz, como existe diferença entre o estar e o ser. Uma mensagem que chega verdadeiramente ao destino transporta uma mensagem que existe, existindo para alguém. Na que fica pelo caminho está uma mensagem que nunca o chega a ser, na sua plenitude, visto que não cumpre a sua função. A carta que não chega ao seu destino é uma falsa carta, pois que só poderá ter no receptor um de dois efeitos: ou servirá para motivos terceiros, alheios à carta em si (como, por exemplo, para fazer chantagem), ou provocar-lhe-á, no seu expoente máximo, o pleno sentimento de indiferença.
No conto “A Carta Roubada”, de Edgar Allan Poe, são duas as cartas que captam particularmente a atenção do leitor; uma que no início da peripécia é roubada (à pessoa a quem fora enviada, por parte de Ministro D.) e uma outra que Dupin escreve para substituir – aparentemente – a primeira. A carta que é roubada, é-lo por motivos de um terceiro que, ao tê-la em sua posse, ganha algum poder sobre um outro personagem. O conto gira pois em torno das buscas que são feitas no sentido de a encontrar e devolver ao seu verdadeiro destinatário. Cedo se percebe que a carta fora perspicazmente escondida (visto que todas as buscas efectuadas na casa de Ministro D., por parte do perfeito, são infrutíferas). Dupin, de uma forma imprevisível. por aqui infere – e por alguns outros detalhes que lhe são fornecidos pelo perfeito – que o único sítio onde a carta poderá estar será mesmo nos aposentos do - já certo – ladrão, mas, se não escondida, à vista de todos. Como tal, dirige-se ao local em questão e, confirmada a sua suposição, troca a carta roubada/procurada por uma outra. A forma desta segunda carta é semelhante à primeira – para que o ladrão não se aperceba prontamente do sucedido. Mas não só; também o é para que o Ministro D. só a leia num determinado momento: quando desconfiar que a carta que tem na sua posse não é já a carta que tinha. E quando, por via da dúvida, o Ministro D. ler a carta que Dupin lhe deixou, lerá uma mensagem que, inscrita num pedaço de papel, através de letras que, lá inscritas, formam palavras, estará destinada a ele próprio. O remetente, conhecê-lo-á pela caligrafia. No caso, será uma verdadeira carta.
Ainda que minada pelos fantasmas que sempre se apossam das cartas, pois que quem as escreve está ausente no momento da sua leitura por parte do destinatário, esta carta consegue, de certa forma, ser a excepção à regra. Isto porque é bem provável esta carta, apesar da sua limitação física, mexa verdadeiramente com os sentimentos da pessoa a quem se destina, o Ministro D. Citando Kafka, “No entanto, se é uma ilusão, é de qualquer modo perfeita”. Como se, de alguma forma, a carta substituísse perfeitamente a presença de Dupin e a ameaça que essa presença significa.

Friday, November 20, 2009

De novo, nua. Despida e exposta, as minhas verdades são os meus textos, as minhas mentiras são os meus silêncios. Não consigo calar esta voz que fala por mim, que me conhece melhor que eu e me expõe. Ainda que eu cale a boca, a voz há-de sair por mim.
Os caminhos arbustescos não são tão lineares assim, e se a madeira cede não significa que eu caia mesmo. Tudo é em exagero, ou em brutidade. E levantar-me não implica que tenha magoado os joelhos, só que os sujei e vou limpá-los, mas até gosto de tomar banho.
As muletas partiram-se nos caminhos arbustescos
Que, não dando conta do peso que trago,
Tentaram amparar-me na queda.
Ainda que a madeira ceda,
Cedo voltarei a levantar-me.
É dormir e saber que durmo contigo
Mesmo que não estejas comigo
Mesmo que não pense em ti.

Sinto que te perdi.

Thursday, November 19, 2009

Sunday, November 15, 2009

Tenho medo até de sonhar

por saber que me tocas nas inevitabilidades.

(agora, dar-te-ia o tremido no toque e o choro do olhar)

Saturday, November 14, 2009

traço

Eu não acredito mais em ti.
Porque se disse nunca, e nunca o será,
Mentira fora desde o tempo em que expectava.
Ou até esse tempo, bendito sejas,
olvido a morte da esperança,
Que onde quer que tu estejas
aqui manténs pequena herança.
Serás tu, ou serei eu,
ou seremos nós o luar.
Se o Sol não brilhar,
(ainda que apartados)
Será pelo eclipse.

Quer queiras,quer não,
Sabes que o tempo espera
Onde não espera a certeza,
Que a apatia é a revolta da indiferença.
Que seja a revelia a presença da ideia
embora macaca que não se penteia,
Que estarás perto, ainda que pelo fantasma.

Fantasma? Fantasma da carta?
É o velho súbdito do ser que prevalece
Onde o morto se esquece
Mesmo que existe.
Pois que a dor persista,
Já que a emoção não é mais que detalhe da hora.
Embora pareça que demora,
Não é mais que o segundo.

Ficas, estás, no fundo,
No meio desse pirinéu,
Tamanho seja o submundo,
Que se é o teu mundo
Quisera que fosse meu.

Odeio gostar assim.

Odeio gostar (de ti) assim. (mas eu sei que gostas de mim)

Monday, October 26, 2009

amor

Foi por ontem me teres pintado
Que hoje te sei escrever.

Wednesday, October 21, 2009

Bicho

Tenho um bicho por dentro
Que me está a comer.
Caramba! Queria-o fora
Fora daqui,
Que me corrói, de fora e no centro,
Juro que é um tormento
E está-me a endoidecer.

Isto é...
Desde a aurora, que se faz escurecer.

É um bicho feroz, ofensivo,
Sai-se por meio das entranhas,
E vem-se, cheio de manhas,
Dizendo-me coisas estranhas
Que não consigo entender.
Só o consigo é sentir
Que ele não fala,
mas faz-se ouvir.

Odeio-o. Odeio-o na substância
Como se odeia a chuva num vendaval.
Não pertence! Não tem de estar
Mas está, na inevitabilidade da presença.

Eis odiável e odiosa pertença
Pois a dor é minha e dói tanto
Que é doença.

Tuesday, October 13, 2009

Ali

Grito por nós, pois que posso,
Pois que trago em mim cantar,
Grito, canto, rio e troço,
(Só dos outros que não cantam),
Pois eu canto até chorar.

E cantaremos os dois, por aí fora.

As flores, colhê-las-emos pela manhã,
Esquecendo-se-nos então as bocas de gritar.
O silêncio aí será merecido
Terá já o grito vencido
E o olhar também gosta de falar.

E correremos os dois, p'lo campo fora,
Descalços, queira-nos a relva receber,
Nessa corrida que se faz por aí fora
Onde o tempo esqueceu a hora
E demora a escurecer.

Até já, meu amor.

Monday, September 14, 2009

um

Eu acho que 1 + 1 = 1

porque sou gente das humanidades, como o povo gosta de dizer, e sei pouco de números.

mais sei de poesia.

e nela, 1+1

...

Monday, August 24, 2009

Sim, hoje brilham as estrelas no alto do monte, bem lá em cima, do sítio de onde me habituei a acender fogueiras para não as conseguir perceber.

Sunday, July 26, 2009

viagem de autocarro

- Sabe, o marido da outra, aquela, do cabelo loiro e comprido - que, se me permite dizer, acho que lhe cai terrivelmente com as maçãs de rosto - vi-o eu há dias naquele bar. Euzinha. Estava por lá, bêbado, caído, despejado e despojado de adornos. Só a silhueta dele próprio. Que figura triste.
- Ai (!) não me diga! Eu, que até tenho andado por lá, nunca por lá o vi. Mas também lhe digo que se o visse, não faria caso! Ora onde já se viu, aquilo que fez à outra!
- Ai pois foi! Se fosse comigo, não mais lhe falava! Olhe olhe! O que é aquilo ali?
- Ah, um carro numa valeta!
- Pois é! Como é que terá ido lá parar?
- (risos)
- (risos do motorista)
- De certeza que alguém o pôs por lá!
- Que coisa mais estranha!

- Filha, estás a ver aquilo ali? Foi precisamente naquele sítio que duas pessoas me ajudaram a trazer o carro que um dia lá deixei meio enterrado. O piso é lamacento, olha, ia-me ficando com o carro! Lembras-te filha? Lembras?

- Só neste país! Coisa de malucos!
- Mas você acha mesmo que foi alguém que o pôs lá?
- Ora com certeza! Ninguém a conduzir conseguia pô-lo assim daquela forma!
- A menos que voasse o carro!
- (risos)
- Nunca se sabe!
- (intervenção do motorista)

- Filha, lembras-te ou não? Estás a ouvir?
- Sim.
- Ora bolas. Às vezes consegues ser tão má. Custava alguma coisa responder? Mas lembras-te mesmo? Lembras-te?

- Então mas conte lá, como é que vai isso, essas férias?
- Olhe, vou aqui, vou ali, batati, batatá, Angola e agora vim da praia.
- Ah! Carneiros? Bolas de mel e Curitiba. Também gosto muito do Brasil.
- Não me diga! É coisa que adoro adoro adoro!

- Lembras-te ou queres-me só fazer a vontade? Fúria, banas e maçãs da pele. Sabes bem que gosto que me respondas? Filha, amor.


de quase todas as vezes falam para ti, mas não falam contigo (?)

também gosto de ti, Mãe.

Friday, July 24, 2009

Pedaço de conversa com o Moleskine

"Tudo bebe, tudo fede, tudo fuma, tudo fumo.
Efémero.
Eterno.
Matéria, enfim. Tu nela e eu sem mim."

Thursday, July 23, 2009

Entrevista (Abril)

Vir para Ficar


Visões de um estrangeiro sobre o nosso país.


Se é certo que pelo sonho é que vamos, e assim o disse Sebastião da Gama, certo é também que muitos portugueses, principalmente jovens, procuram viver o sonho num outro país que não a nossa Ocidental Praia Lusitana. Se esta vontade se prende a motivos económicos, políticos, culturais, tudo junto ou nada ao certo, dependerá dos objectivos individuais de cada um, quiçá desespero. Mas a questão que agora aqui se coloca, dentro deste contexto, é que motivos levarão a um estrangeiro a mudar-se para cá. Seremos ainda tidos em conta como um país de grandes oportunidades ou estaremos associados a outra ideia positiva que, a muitos, escapa?
O londrino Phillip, formado em Engenharia Aerospacial e com algumas pós-graduações em tecnologias laser, é agora professor de inglês num Instituto privado em Setúbal e foi, desta feita, o entrevistado que me explicou o porquê de viver em Portugal há mais de vinte anos.


Sabe-se que pelos institutos de línguas privados, nomeadamente ingleses, passam muitos professores durante um, talvez dois anos e depois seguem viagem para outro país, de modo que ensinam aqui, depois ali, e acabam por conhecer o mundo todo, ou grande parte dele. Antes de mais, porquê vir para Portugal?


Porquê vir? Bom, acho que pode dizer-se que eu não escolhi este destino como este destino me escolheu a mim. Vivia em Inglaterra há muitos anos e estava completamente deprimido, por causa do clima e da maneira como as coisas estavam. Então abri o jornal e foi o primeiro anúncio que encontrei. Para ser sincero, dei por mim um dia no metro, como já disse, terrivelmente deprimido, envolto de uma atmosfera pesada. A pessoa que estava à minha frente não olhava sequer para mim, era como se não existisse, porque em Inglaterra há tanta gente que as pessoas precisam de criar como paredes invisíveis à volta delas, nunca comunicam umas com as outras. Nesse dia pensei que já não conseguia viver mais assim. Então decidi vir, e estava aqui dois dias depois. Foi-me muito conveniente, até porque posso voltar rapidamente para Inglaterra.


E pensava que as pessoas cá seriam diferentes, não tão frias como em Inglaterra?

Completamente, sim. Uma das razões pelas quais nunca gostei de viver em Inglaterra, apesar de ser um país muito bonito – e eu adoro o meu país – é a frieza das pessoas, e talvez se deva ao clima, como alguns dizem. As pessoas correm de um lado para o outro como “galinhas sem cabeça”, e não param para olhar em volta. Viajando pelo mundo percebi que onde fazia sol as pessoas eram diferentes. Sim, eu vim para cá e notei os portugueses como um povo muito mais descontraído e relaxado. Tiram tempo para apreciar a vida, com coisas simples, como por exemplo com a comida, são capazes de tirar o seu tempo para beber um bom vinho com uma companhia especial. Eu acredito que temos de escolher cuidadosamente as opções de vida, tendo sempre em conta a sua qualidade. Acima de tudo. Acima do dinheiro. Bom, é claro que precisamos dele, mas as pessoas sobrevalorizam-no.


Sei que viajou muito, chegou a ficar longos períodos de tempo em outros países. O que o levou a

acabar aqui e não em qualquer outro ponto do globo?


Bom, eu vivi cinco anos na América do Sul. Foi muito bom, um período muito interessante, mas por causa das coisas que estavam a acontecer lá, na altura, relacionadas com o terrorismo, o “viver lá” tornou-se demasiado perigoso. Por isso pensei que era tempo de terminar aquela aventura e ir para outro sítio qualquer. Todos os países são diferentes. Outro que também gostei muito foi a Holanda, é muito especial.

Amesterdão?


Sim, Amesterdão. Mas a maior parte das pessoas associa Amesterdão a coisas erradas. Pensam que é só droga, sexo, mas, de facto, não é nada disso. O que geralmente se diz da cidade constitui apenas uma pequena parte do que lá existe. As pessoas lá têm uma maneira de ser que segue muito a ideia de “vive e deixa viver”. A arquitectura, fabulosa. O que me levou lá foi, na verdade, uma pós-graduação na minha área que acabei por desempenhar muito pouco. E tudo isto ligado à mesma questão da qualidade de vida. Porque quando cheguei a Inglaterra e decidi trabalhar nesse campo, acabei a ter de produzir, para o Estado, material tecnológico a ser utilizado em guerras, e não é, de todo, algo para que queria contribuir.

Tem alguma história daqui que costume contar a amigos seus ingleses que, segundo ache, seja uma caricatura do povo que somos?


Sim, tenho muitas histórias. Uma delas, em que poucos acreditam, aconteceu mesmo pouco depois de chegar cá, quando decidi aventurar-me por entre estradas nacionais, de modo a conhecer um pouco melhor o país. Qual não foi o meu espanto quando, passado algum tempo de viagem, me deparo com um camião parado no meio da estradas e, debaixo dele, quatro pernas estendidas, a sair debaixo do camião. Pensei imediatamente que estivessem a arranjar qualquer coisa no veículo, que estivesse estragado ou coisa do género. No entanto, decidi ficar e perceber o que se passava. Passaram cinco, dez, vinte minutos e achei que as pernas estavam demasiado paradas para que alguém estivesse a consertar fosse o que fosse. Por isso, saí do carro e fui investigar. Eis que encontro dois senhores, rapazes, a dormir descansados e que, ao me encontrarem preocupado com a situação, prontamente me explicaram que estavam a fazer uma sesta à sombra, para eu não me preocupar. Devo confessar que nunca tinha passado por nada disso.

Também poucos portugueses terão passado… Mas, dada a sua experiência pessoal e profissional, o que acha que motiva outros professores a trabalhar neste país?


Bom, acho que se prende muito àquilo que disseste no início da entrevista. Eles querem conhecer o mundo, e ensinar por aí fora é sempre uma boa opção. Por isso se vê tantos novos professores que leccionam um par de anos aqui e depois se mudam. É uma excelente oportunidade para se poder viajar e continuar a ganhar dinheiro, para ver partes do mundo que queiram ver. Ensinar inglês como língua estrangeira é uma opção porque em todo o mundo se fala inglês. Eu nunca tinha pensado em ser professor, na verdade formei-me em engenharia aeroespacial. Sou uma daquelas pessoas que, como muitas outras, não sabia o que fazer. Acabei por ir para o curso que me fora indicado e não por opção minha. Por causa dele, e também como já disse, acabei por ir fazer uma pós-graduação na Holanda. E foi a viajar, não me lembro muito bem em que altura da minha vida, que dei por mim a ensinar um grupo de cinco chineses a falar inglês, que desesperadamente queriam aprender a língua. E eu pensei “isto não é assim tão mau…”, então acabei por tirar o curso de professor, só em caso de poder dar algum jeito no futuro.

Como encontra Portugal em termos culturais, políticos? Agora festeja-se o 25 de Abril…


Bom, culturalmente, é um pouco frustrante encontrar cidades como Setúbal que não investem mais em turismo. Devia-se investir mais. Em grandes cidades como Lisboa ou Porto é fácil ir-se a um bom museu, ver uma peça de teatro, são cidades muitos pontos de interesse. Os políticos deviam tentar ver as coisas muito mais profundamente. Acho que falam, sim, falam muito e sobre muita coisa, mas estruturalmente muito pouco se faz aqui e eu acho que Portugal tem o risco de ficar para trás se não se começar a seguir uma linha de acção. Pode ser mesmo muito destrutivo. Portugal é praticamente uma capa oca, não há praticamente indústrias. Recebe-se também muito dinheiro que se perde, e não se sabe como. Podia-se apostar no turismo. A costa portuguesa é belíssima. Por exemplo Setúbal podia ser bem mais aproveitado, mas a verdade é que não se faz nada certo para atrair turistas, o que é uma pena. Eu acho que Portugal devia olhar para os erros dos outros, e aprender com eles. Olhar para os que sabem, e encontrar o meio-termo ideal, porque tem uma série de vantagens sobre outros países.

Em jeito de conclusão, Phillip, faço-lhe uma última questão. Como deve saber, muitos jovens portugueses pretendem abandonar o seu país… O que acha sobre isso?


Eu acho que é muito normal que as pessoas queiram sair. E os portugueses são conhecidos por terem sido sempre grandes viajantes. Em cada país que visito encontro sempre pelo menos um português. Deve-vos estar no sangue. E não censuro que queiram sair de cá, especialmente se não vêem nenhum sítio onde se encaixem cá. É também para esses casos que o governo devia olhar, porque não se quer que todas as mentes brilhantes, desses jovens ambiciosos, fujam do próprio país. E isso acontece muito, porque vêem oportunidades noutros países e claro que querem aproveitar, são novos e têm vontade de vencer. Acho também que quem tiver a oportunidade de sair e conhecer outros sítios deve aproveitá-la para perceber como as coisas funcionam internacionalmente e para, claro, saber onde se encaixa melhor.

Sunday, July 19, 2009

Dia 16

Só veio embelezar
No seu jeitinho
Peculiar.
Veio devagarinho
E, sem notar,
Deu-me
Um beijinho
Para me acordar.
"Olá,
Estou aqui,
Sabe que estou aqui"
"Eu também
Não sabia
Esquecer"
"Mas quero lembrar-te
Antes que o tempo
Não vá o tempo
Levar-te"

Sabes?



Fumar mata.

Viver também.

Friday, July 17, 2009

Graaaande

Hoje , no meio do oceano , senti cada pedaço dos meus metro e oitenta e três
E vi coisas que tu não vês
Porque tu não és eu.

Sunday, July 12, 2009

Alguém o viu?


Onde anda o Christopher Plummer?
Dou um beijinho a quem me trouxer novamente o filme Man in the Chair.

60 minutos


Uma possível representação do poder da fé como expoente máximo do ser humano.

O impressionante caso de Ronald Cotton.

(clicar na imagem para ler entrevista)

Ali

Novas ideias,
velhas ideias,
confronto.
Procuro
encontrar
um ponto,
mas não
consigo,
não o
encontro.
Divago.
Divago somente
numa amálgama pura
que procura a semente
que aqui perdura.
A da origem.
Procuro.
Procuro, mas tenho
vertigens.
Às vezes tropeço
e sem querer cair
agarro-me a um
arbusto
para subir.
Fico é com espinhos
e
depois
nos caminhos,
não os consigo tirar
custa, dói,
e dói a sarar.
Por isso,
procuro
nesta nova amálgama.
Que trouxe
um doce
cantar.
Eu procuro
porque sei
que
vou
encontrar.

Ele tocou, e ouviu-se

Senti-me por dentro
na mais imperfeita das horas
e sem mais demoras
decidi acordar.

Tanto que é o meu sono
Custou-me três vezes levantar
e tropecei, e caí, e levantei-me,
numa dança que hoje aprendi
e logra tanto pesar.

Hoje é dia, é cedo, é amarelo e bonitinho,
Oiço, ao longe, os pássaros a cantar,
Quando outrora era o alcatrão, o vinho,
Tal o desespero de viver,
que ganhava lugar.

Mas, hoje, sou fruto do despertar.

Wednesday, July 08, 2009

A Imaculada Maria


Decidiu andar com os lábios pintados de rouge indécent por ser Verão.

Monday, July 06, 2009

Pedaço de madeira que (em mim) arde

"Foi tão fogaz que nem deu"

Pois que foste embora,
e não mais saberei de ti.

O em mim que jaz ardeu
Qual cinza e pó e rasto,
Sublime Sol nefasto
E em mim, fico eu

Sombra de mim mesma e sem grão de ponta que segure o que ficava, latente,
Luzindo em forma de brio o que só em mim é patente.

Eu estou aqui

À luz dos fragmentos que me compuseram,
Que se ontem fosteis trinta, e mo disseram,
hoje trago unicismo inigualável
De tal forma inquebrável
Que, se fosse fogaz, não seria eu.

Porque, se ontem dava, hoje não deu
Quão sagaz é o tempo que passa (e se passa!).
Procuro meios de te dizer adeus, poeticamente,
Que só me lembro e sei lembrar que o mundo,
só hoje, por hoje, irritantemente,
é meu.

"O tempo passa quando não reparamos nele"



















Do filme Elegia, de Isabel Coixet

Monday, June 29, 2009

Criei três mundos inquebráveis e só me sei situar num quarto onde crescem plantas secas nas paredes, fruto de uma atitude impávida e incompreensivelmente estúpida. Fito-me no espelho e parece-me que encontro O Pápa, qual manto luminoso e cândido, fitando-me de volta e cantando-me doces canções que convidam ao belo celestial. Os dias são graças a Deus inevitáveis mas inevitavelmente vou ficando à espera. Não de ti, mas talvez de mim. Eu sei que já o disse, mas digo-o novamente no risco de cair na redundância, Estou farta do sistema.
LIBERDADE!

O sistema anda-me a deixar mal-disposta.

Sunday, June 28, 2009

Olaré

O meu espanto é
Que hoje uma velha, num pranto,
Deu um tiro no pé.
E o mundo ficou sentado.

Monday, June 22, 2009

É ser-se Humano

A culpa é da vontade
Que tenho de te abraçar.

Sunday, June 21, 2009

Já o vi, para sempre (a sunday smile)

All I want is the best for our lives my dear,
and you know my wishes are sincere.
What's to say for the days I cannot bear

A Sunday smile we wore it for a while.
And at cemetery mile we paused and sang.
A Sunday smile we wore it for a while.
And at cemetery mile we paused and sang.
About a Sunday smile and we felt clean

We burnt to the ground
left a view to admire
with buildings inside church of white.
We burnt to the ground left a grave to admire.
Hills reach for the sky, reach the church of white.

A Sunday smile we wore it for a while.
At cemetery mile we paused and sang.
A Sunday smile we wore it for a while.
And at cemetery mile we paused and sang.
About our Sunday smiles and we felt clean

Tuesday, June 16, 2009

Um benzinho de fazer querer

Oi, Olha, Hey, Tu,
Não me devolvas o guarda-chuva
Que está calor lá fora
Onde repousam as margaridas.
Anda ter com elas, anda, anda embora,
Vamos sentir-lhes o aroma
Que é parecido com o das nuvens.

E eu não me importo que se suje o vestido branco
Eu estou aqui é para aprender.
Mas, ah, fala baixinho.
É que está por aí um vizinho
E ele não precisa de saber.


Quero saber o que se usa, as modas,
Das calças subidas
às saias de rodas.

Anda, oh tu do cachimbo verde,
E vê lá mas é se te afogas
Que, de nós, és tu quem perde!
É que o sol ainda se esconde
E a incontestável fragilidade do ser
Que do escuro tem medo
Não, não é para se saber.

Sunday, June 14, 2009

Directamente

Ora sombrio ora cândido
O dia me acolhe por entre horas
Minutos e segundos, singulares,
Tantos quanto os andares
Mo permitam.
Dias há em que os pés hesitam.
Correr, sim, correr por aí
Por cá, por acolá, por ali,
Corro por via da esperança
Por conta da lembrança
Que trago de ti.

Hoje e ontem lembrei-me de ti, saudosamente,
Que dias passo contente
Quando passo contigo.
És e serás, p'ra sempre, um amigo.


Ao Gonçalo Silva

O ELOGIO DA LOUCURA

UMA DECLAMAÇÃO DE ERASMO DE ROTERDÃO

" Fala a Loucura:

Tudo o que os mortais, de um modo geral, dizem a meu respeito - estou disso perfeitamente consciente - é que a Loucura não goza das opiniões mais reputadas e, mesmo entre os mais loucos, sou a única com poderes divinos capazes de alegrar os corações dos deuses e dos homens. Prova disso é que bastou o simples facto de avançar para me dirigir a esta assembleia, para logo todos os rostos brilharem numa nova e incontida alegria, afastando todo o seu ar grave e sisudo. Ristes e aplaudistes com sorrisos tão cândidos que, ao ver-vos todos reunidos em meu redor, era capaz de acredtar que estais ébrios do néctar dos deuses homéricos, com um travo de nepentes; e ainda há poucos instantes, estáveis sentados com um ar tão sombrio e acossado como se houvésseis saído da gruta de Trofónio. "

Monday, June 01, 2009

Take 1 (sem 2)

Chamaram-lhe uma coisa qualquer
Ao rasto que deixaste no pinhal
Descabido, inteiramente,
Porque o nome lho deram somente
Por desvario de uma mente
Que teme verdade total.

Vai a trote, de cavalo, vai de mansinho,
E vê se não te esqueces de jantar
Que aqui o povo fica sozinho
À espera do Sebastiãozinho
Voltar.

É precisamente isto.

[...] Hoje caminhei com os lábios vermelhos pela ponte mais velha da minha aldeia. As nuvens continuavam lá em cima e acima de tudo cantavam os pássaros.
- Não quero morrer!
Sentei-me numa pedra, cruzei as pernas semi-deitadas no chão frio, estendi o meu vestido às rosas e senti-me no topo do mundo, ainda que estivesse apenas no topo da velha ponte da velha aldeia de Maçores. Aí, jurei pra nunca mais morrer. Olhei para cima com todo o meu desrespeito à luz da Primavera de Abril, cheio de toda a sua azulez de céu despido de amor - ao menos, e valha-nos o calor, trazia os meus lábios vermelhos -e detestei aquela estação do ano detestável ainda mais um pouco. Intrigou-me a piadeira dos pássaros, que pareciam alheios a este espetáculo de friez descabida. Ora, onde já se viu, um dia completo de nudez flácida. Chateia-me. Puxei do cigarro, desapertei os sapatos. Um isqueiro, um truque e ali estava eu, a deliciar-me com o doente alcatrão. Fitei-o. Questionei-o. Questionei-me.
- Nãããã. Sai daqui.
Atirei o cigarro ao chão e tossi, enojadamente. Esfreguei as mãos nos lábios brutalmente e tal foi que espalhei batôn pelas rosáceas, roçando a Maria Puta que, satisfeita ou não, aproveita para se render à comodidade de um sossego sujo. Passou um cão. Observei-o e depois esqueci, como se nada ali tivesse passado, qual alma insensível, outrora rendida ao amor de um fumo. Estava ali porque queria sentir de novo. [...]